quinta-feira, 17 de julho de 2008
A pergunta
E no meio de centenas de pessoas, de luzes piscantes e músicas ensurdecedoras, eu ouvi a pergunta, aquela pergunta que todos os corações românticos desejam ouvir um dia. A pergunta tantas vezes expressa em novelas, em filmes, em livres. Ouvi a pergunta pela primeira vez na vida, depois de tantas vezes eu te-la pronunciado, muitas vezes em vão. Fiquei assustado. Fiquei feliz. Minhas pernas tremeram, minhas palavras gaguejaram. Olhei nos olhos, surpreso, como se uma explosão de felicidade tivesse se formado dentro de mim. Não precisei nem pensar. "Sim, lógico que eu quero!".
segunda-feira, 14 de julho de 2008
2 anos, muitas lembranças
Parece que foi ontem que eu liguei para Andrea Ciaffone, então editora-chefe da Revista Forbes - que na época eu nem conhecia - e ela me disse que eu poderia estagiar durante 2 semanas na revista e viver um pouco a agitação de uma redação, coisa que até aquele dia eu só conhecia em filmes. Pois é, me lembro como se fosse ontem que eu recebia o convite para integrar a redação fixa da Revista Forbes, após um sucesso com minha primeira matéria escrita. Mas, essa cena ocorreu exatamente 2 anos atrás. naquele dia eu não fazia idéia que começaria minha carreira de jornalista e que hoje eu estaria aqui, trabalhando em duas revistas e usando meu tempo de folga para escrever um post de comemoração desses 2 anos de jornalismo.
Tantas coisas aconteceram neste tempo, tanta coisa eu aprendi, tanta gente eu conheci, tantas responsabilidades tive que enfrentar, tantas dúvidas tive que solucionar. Escrevi matérias sobre coisas que eu jamais tinha ouvido falar. Entrevistei pessoas que tinham 10 mil vezes mais o poder aquisitivo que eu. Visitei lugares que só em sonhos eu conseguia entrar.
Fiz um especial sobre empreendedorismo no Brasil e recebi minha descrição como "nosso jovem e talentoso Paulo Basile nos presenteia com um especial...". Fiz uma entrevista com o o famoso DJ FatBoy Slim e o ouvi falar em inglês "Sério que vou sair na Forbes?". Fiz um especial sobre as mulheres mais importantes do Brasil, o que me permitiu ir a uma festa na Daslu e ficar pulando de sapato do sofá chiquérrimo de lá. Viajei para Campos do Jordão e descobri pautas que jamais pensávamos em encontrar - além de experimentar geléias maravilhosas e super caras. Foram mais de 35 matérias com o "Paulo Basile", que aos poucos se tornava conhecido, assinado embaixo dos textos.
E então a Forbes fechou. Choros, desespero, tristeza. E então veio um convite: "Você quer ser nosso estagiário aqui na Revista Viver Bem?". Foi então que começava mais um desafio completamente diferente do que eu estava acostumado. Troquei o mundo dos empresários da Forbes pelo mundo dos decoradores e arquitetos da Viver Bem. Tive que aprender as diferenças nos acabamentos dos pisos, as peculiaridades dos móveis, as relíquias em tapetes, almofadas, camas, mesas, banho, jantares e tudo o que eu não sabia nem como falar. Descobri as exposições de móveis mais famosas, as de arte mais visitadas, as de decoração mais concorridas.
De repórter na Forbes virei um blogueiro na Viver Bem. Sim, o veículo que eu estava acostumado a contar as particularidades da minha vida, tive que transformar em ferramenta de trabalho. E então uma nova revista entrou na Editora Peixes. "É uma revista gay". Corria o boato nos bastidores. Sim, era uma revista gay, que surgiria no mercado. Com o nome "DOM - De Outro Modo", ela investiria em cultura, saúde, beleza, comportamento e tantas outras editorias, mas sem o uso de nu, até então visto em revistas gays.
Então veio o convite "Você gostaria de ser nosso colaborador?". Aceitei, lógico. Na primeira edição, umas notinhas com meu nome. Na segunda, mais algumas. E então veio mais um convite: "Você gostaria de ser o nosso blogueiro?". E então começaram as publicações, as polêmicas, as discussões, o reconhecimento. E então veio mais um convite: "Você gostaria de escrever uma matéria para a gente?". E foi uma matéria, duas matérias, três matérias. "Você gostaria de ser o responsável pelo nosso site?".
Foi assim, entre convites e reconhecimento do meu trabalho, que fui construindo minha carreira de jornalista. Uma carreira ainda muito recente, mas que já contou nesses dois anos com os ensinamentos de muitas pessoas influentes no mercado, pessoas que me mostraram o lado bom e o lado escuro do jornalismo, pessoas que me ensinaram e aprenderam comigo, pessoas que me trataram como "Paulo Basile, o jornalista", mas que sabem que no fundo eu sou apenas o "Paulinho alegre que faz zonas nas redações".
Que venham muitos mais anos de jornalismo, e muitos mais leitores para acompanharem meu trabalho.
sábado, 12 de julho de 2008
Doce-de-leite
Surpresa mineiraTu vieste do improvável
Entrada sorrasteira
E tornaste indispensável
Amor com "r" puxado
Saudades sabor doce-de-leite
Calor no reencontro esperado
Me entrego ao todo o seu deleite
Me prometes a sinceridade
De uma promessa a arriscar
Em um salto pela felicidade
Talvez cedo seja se apaixonar
Mas menino mineiro, te digo a verdade
Meu coração não mais quer voltar
domingo, 6 de julho de 2008
Que bafo!

Ontem, antes de sair de casa com o carro, eu estava com pressentimentos. A nova lei seca não saía da minha cabeça. Li diversas matérias, me informei sobre meus direitos, deveres, sobre como é o procedimento. Parecia que eu estava prevendo alguma coisa. E estava.
Santana. Meia noite e meia. Peguei meus amigos de carro, mas não esperava que pegaria mais do que quatro pessoas. Conclusão: 4 pessoas atrás do carro = contra a lei de trânsito. Andávamos pela Bras Leme quando nos deparamos com uma blitz. A única coisa que pensei foi "fodeu!". Eu iria ser pego por conta das quatro pessoas atrás.
Não deu outra. "Pewww, desce do carro agora, rápido, rápido". Pew praticamente se jogou do meu carro, a poucos metros do primeiro policial. Fiquei rezando para que ele não tivesse visto e então: "Encosta o carro!". Fodeu mesmo!
Encostei o carro com meu cu já piscando de medo. Enquanto o Pew passava a pé na calçada como se não nos conhecesse, nós cinco fomos revistados (não é uma revista, é quase uma dedada!), revistaram meu carro, meus documentos. Eu tremia de medo. Não devia nada, mas a situação me deixou em pânico. Então fui fazer o bendito teste do bafômetro.
Não havia bebido nada. Que bom, podem me beijar pessoas, passei, não tenho bafo! 45 minutos depois estávamos saindo de lá. Pegamos Pew um pouco mais a frente e ríamos da situação (o meu riso era de nervoso).
Perto do Estádio do Pacaembu mais uma situação. Um carro de polícia para atrás do meu. Comecei mais uma vez a rezar desesperadamente para ele não perceber que tinha quatro pessoas atrás. Então ele ligou a sirene. Pensei "agora sim fodeu de verdade!". Passou ao lado do meu carro e, para meu alívio, foi reto. Todo mundo rindo e eu quase com diarréia.
Conclusão: passei minha noite, depois desses sufocos, a água e coca-cola. Quando eu pensei que sairia na noite e beberia só coca-cola? Pois é, a lei seca me secou, de bebida e de medo!
Ps: Tá, se você ler isso, não conta para a mamãe ok?! Ela acha que a história do bafômetro foi diferente tá, não contei a verdade para não assustar rs.
sábado, 5 de julho de 2008
Mudanças
Ontem sai com pessoas que estão se tornando muito queridas na minha vida. Amigos de tempos antigos, amigos novos, reencontros, passeios novos. É bom mudar, sentir novos cheiros, dar novas risadas, fazer novas viagens, conhecer novas histórias.
Me fez lembrar de uma frase que minha primeira editora no jornalismo falou e que jamais esquecerei:
"Descobri que o que muda todo o cenário de mudança é o lance da convicção em mudar. Não vale mudar apenas por mudar ou fazer isso de forma inconseqüente, porque isso é apenas experimentar. É preciso orientar as mudanças pela bússula do amor - amor a Deus, a si mesmo, à família, à patria, à arte, às suas idéias, ideais, valores e sentimentos..."

Andrei Ciaffone, sinto saudades de você. Aprendi demais com você dentro do universo do jornalismo, seja na elaboração de textos quanto na personalidade forte que também tinha e contigo ficou mais intensa ainda. Obrigado por tudo, mesmo fazendo anos que não nos falamos.
Me fez lembrar de uma frase que minha primeira editora no jornalismo falou e que jamais esquecerei:
"Descobri que o que muda todo o cenário de mudança é o lance da convicção em mudar. Não vale mudar apenas por mudar ou fazer isso de forma inconseqüente, porque isso é apenas experimentar. É preciso orientar as mudanças pela bússula do amor - amor a Deus, a si mesmo, à família, à patria, à arte, às suas idéias, ideais, valores e sentimentos..."
Andrei Ciaffone, sinto saudades de você. Aprendi demais com você dentro do universo do jornalismo, seja na elaboração de textos quanto na personalidade forte que também tinha e contigo ficou mais intensa ainda. Obrigado por tudo, mesmo fazendo anos que não nos falamos.
Explosão
Sou aquele tipo de pessoa que dificilmente leva desaforo para casa. Gosto de resolver os atritos da vida cara-a-cara, olhando nos olhos, muitas vezes sem medir palavras e ser hipócrita. Não, não tenho paciência para ser pacífico e deixar os acontecimentos passarem como se nada tivesse acontecido. Minha mae me alerta que eu deveria levar as coisas menos "a ferro e fogo" como eu levo, e completa dizendo que isso vem com o tempo. Talvez. Até lá continuo com minha personalidade forte. Apenas tenho que aprender a dissociar amizade com ambiente de trabalho. Essa semana pequei por isso. Respondi um "cala a boca" para uma pessoa que trabalha comigo achando que era mais um amigo na vida. Mas não era, o respeito devia estar acima de tudo. Sim, errei. Aprendi. O clima ficou pesado. E desculpas não foram suficientes. Não fui demitido, mas seria uma atitude para tal. Cresci. Explodirei mais baixinho da próxima vez.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Para dar risadas
Fulano diz: Então, eu e meu irmão gêmeo nos apresentamos durante 3 vezes ao dia na webcam e cada apresentação conta com a presença de 5 pessoas, que podem interagir conosco, em vídeo ou áudio. Nós nos gostamos muito e gostamos de fazer isso na frente das pessoas!Paulinho diz: Nossa, mas que inusitado isso, como assim vocês se "apresentam"?
Fulano diz: Fazemos nosso show ao vivo. Aliás, daqui a pouco, às 21 horas, vamos ter mais uma apresentação. Estou fechando a lista das pessoas que vão participar.
Paulinho diz: Lista? hahaha. Gente, é praticamente uma balada!!! Que engraçado!
Fulano diz: Se você estiver interessado já me diga, porque apenas 5 pessoas participam. E para participar você tem que depositar 20 reais em nossa conta corrente, ok?
Paulinho, completamente incrédulo, diz: Oi? Como assim? Vocês são um negócio?
Fulano diz: Vai participar ou não?
Paulinho diz: Hahaha. Não, obrigado, tenho coisas melhores para gastar 20 reais.
(!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)
Por favor, me diz que ainda há vida inteligente na internet, me diz, me diz, me diz!!!!
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Não basta ser gay...tem que participar?

Há tempos eu queria escrever sobre esse tema, mas ou não conseguia reuniar as palavras certas, ou aconteciam novas coisas que me deixavam pensativo. Então, vou arricar agora. Todos que me conhecem (família, amigos, leitores...) sabem da minha orientação sexual: sou gay, assumido (não, não fico gritando para os quatros cantos isso, afinal não há necessidade) e muito bem resolvido. Atualmente, um dos meus trabalhos é em uma revista voltada para o público gay. Hoje, com mais de seis meses trabalhando neste projeto, algumas questões me vêm à cabeça, assim como, tenho certeza, à cabeça de vários outros gays:
- Existe moda gay?
- Por que a maioria dos gays tem que ser baladeiros?
- Por que a maioria dos gays tem que gostar de música eletrônica?
- Por que Madonna é um ícone para a maioria dos gays?
- Por que, raios, os gays, emboram não gostem de ser esteriotipados, insistem em seguir um padrão, em procurar uma identidade gay, em se sentir minorias, agir como tal e levantar essa bandeira?
Okey, as primeiras questões podem até ser surpéfluas, mas pergunte para qualquer gay que você conhece e talvez você irá ouvir as mesmas respostas. Mas essa última questão é um ponto primordial para se entender a comunidade gay no Brasil e que talvez explique todas as outras questões. Afinal, o gay tem que ter um "gay way of life?"
Conversando com meu chefe, ele disse "Eu sou gay, mas não concordo com 99% dos gays que conheço. Não gosto de balada. Não gosto de usar roupas fashion. Não ouço músicas que a maioria ouve. Não acho sensacional a parada. Deixo de ser o que sou por isso?"
É bem essa a questão. As pessoas não entendem que ser gay é apenas uma característica da pessoa, o fato dela gostar de pessoas do mesmo sexo, e não um estilo de vida. Por que um gay não pode ter os mesmos gostos e rotina de um heterossexual? Por que, afinal, temos que levantar a bandeira do arco-íris e escrever em nossas testas "sou diferente, sou gay, algum problema?". Não! Não precisamos. Meu outro chefe disse "Se colocar na imagem de minoria e agir como minoria e querer mostrar ao mundo que, por ser diferente, você é uma minoria, é se rebaixar demais!". Concordo com cada palavra.
Tudo bem, gosto de Madonna? Gosto. Gosto de música eletrônica? Gosto. Gosto de sair de balada sempre? Gosto. Gosto de roupas mais moderninhas? Gosto.Mas a questão é: não gosto por que sou gay. Não é a condição de ser gay que me faz ser o que sou. Gosto dessas coisas porque me identifico, não porque essa comunidade me faz gostar. Não preciso estampar no meu peito um letreito Docce & Gabana ou ficar ouvindo Cher alto para o mundo saber que sou gay. Não, por favor, não.
Os gays só vão receber o respeito que merecem (merecem?) a hora que pararem de agir como alinenígenas que querem aparecer, e se portarem como pessoas normais, pessoas que apenas gostam de outras pessoas do mesmo sexo, só. A diferença é única: uma questão de gosto. Só! Não precisamos militar a causa gay, pois não existe uma causa gay. Direitos, leis, respeito...tudo bem, isso precisa ser feito. Mas sem hipocrisia né!
terça-feira, 24 de junho de 2008
Tire a máscara...
...aqueles que precisam de ropas de grife, carros importados e status na alta sociedade para camuflarem sua total insegurança para com a vida;
...aqueles que saem na noite, beijam dezenas de pessoas que não se recordam se quer seus nomes para ocultarem suas personalidades carentes e falta de auto-estima;
...aqueles que precisam mostrar ao mundo que são gays pelo simples fato de estarem mostrando algo e não necessariamente por sentirem orgulho do que são;
...aqueles gostam de jogar sujo, fazer intrigas, plantar o mau e regar com más ações pois são pessoas baixas e sujas;
...aqueles que se fazem de super-heróis do bem e são apenas mais algumas pessoas hipócritas;
...aqueles que se escondem no anonimato e têm medo de assumir suas vidas face-a-face.
Conselho: tire a máscara. Dá para enxergar melhor!
...aqueles que saem na noite, beijam dezenas de pessoas que não se recordam se quer seus nomes para ocultarem suas personalidades carentes e falta de auto-estima;
...aqueles que precisam mostrar ao mundo que são gays pelo simples fato de estarem mostrando algo e não necessariamente por sentirem orgulho do que são;
...aqueles gostam de jogar sujo, fazer intrigas, plantar o mau e regar com más ações pois são pessoas baixas e sujas;
...aqueles que se fazem de super-heróis do bem e são apenas mais algumas pessoas hipócritas;
...aqueles que se escondem no anonimato e têm medo de assumir suas vidas face-a-face.
Conselho: tire a máscara. Dá para enxergar melhor!
sábado, 21 de junho de 2008
Lágrimas de Martine
Eu falei brincando ontem de noite, mas é verdade: meu carro daria um excelente livro. Ele já presenciou tanta coisa com esses dois ao meu lado (e mais o Driko, que está na lua-de-mel em Bariloche rs) que muitas histórias poderiam ser contadas. Ontem de madrugada foi um desses momentos inesquecíveis.
Não há como descrever a noite de ontem. Dizer "amizade sincera e verdadeira" talvez fosse muito pouco. Esses dois, Markinhos e Bruna, são pessoas que em pouquíssimo tempo se tornaram presentes em meu coração e a cada novo dia o transformam num lugar muito mais gostoso.
Não sei o que é passar uma semana sem eles, não sei o que é ficar triste sem poder ligar para eles, não sei o que são fins-de-semana sem nossas cervejinhas, sem nossos martines, sem nossos lanchinhos da madrugada no Extra. São pessoas indispensáveis na minha vida.
E ontem percebemos o quanto especial é nossa relação. Choramos, os três, dentro do meu carro, abraçados, juntos, sentindo a mesma ligação. Um só sentimento, uma só vontade, um só rumo. Nos amamos, amamos mais que qualquer paixãozinha, amamos mais que qualquer hobby obsoleto, amamos mais do que conseguimos descrever.
Uma noite de muitas respostas, muitas histórias explicadas, muita emoção. Uma noite de pérolas como "ah, sei la, então eu como vocês" ou "se você chegar em casa eu quebro suas duas pernas" ou ainda "olha aqueles velhos bêbados...são nosso futuro". Uma noite realmente inesquecível.
Obrigado por tudo, sempe!
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