quarta-feira, 16 de março de 2011
Outro ano, outo no
E aquelas folhas que já foram vistosas, com seu verde-limão ofuscado ruas e lindos jardins cheirosos de jasmim, ah essas folhas, teu amarelo começa a surgir, começa a despertar de seu sono de três estações e timidamente vai tingindo as cidades, envolvendo corações, derrubando esperanças... as folhas, que já foram fortemente leitosas, se jogam em seu leito maternal, deitam e adormecem sob as árvores, árvores agora frias, árvores agora tímidas, e não mais extravagantes, são galhos e não árvores, as folhas fecham seus olhos aborrecidas, cansadas, mas elas precisam descansar até que uma onda verde novamente recaia sob tuas veias-de-árvore e um ciclo recomece na floresta de uma árvore só.
sábado, 15 de janeiro de 2011
sábado, 8 de janeiro de 2011
Pedido de ano novo
- Boa noite senhor, o que desejas?
- Um amor com fritas, por favor. E também Milk-shake bem doce, com paixão levemente azedinha e pitadas de pimenta para contrabalancear.- Para viagem, senhor?
- Não, não. Quero desfrutar essa refeição aqui mesmo, neste mesmo 2011.
- É para já, senhor.
- Por favor, seja rápido, ando com muita vontade dessa refeição, cansei de esperá-la...
domingo, 26 de dezembro de 2010
Adeus ano velho
Um bom ano, um ano bom. Feliz 2011, adeus 2010. Muitas poesias, ventos sul, mudanças e barras de chocolate e beijos de mel para todos (e notas de 50 reais no bolso)!
domingo, 5 de dezembro de 2010
Dezembro
Chega aquele mês que eu tanto adoro e tanto tenho medo. Adoro dezembro pois ele é a certeza de que outros 11 meses se passaram e, cansativos ou não, difíceis ou não, pesados ou não, proveitosos ou não, foram vencidos. Você olha para trás e vê os beijos que você deu, os abraços, as lágrimas, as promessas compridas (e as esquecidas), os trabalhos, as brigas, os olhares sem graça, as pessoas que te interessaram, os foras que você recebeu, as cantadas, os elogios, as viagens que fez, aquele maravilhoso sanduíche que você comeu, a camiseta que virou sua preferida, o computador que foi pra assistência técnica, o carro que você bateu, a noite de sexo perfeito que não se repetiu, o remember histórico com o ex, o corte de cabelo que você fez sozinho no espelho e ficou torto, os amigos com quem brigou, os amigos que conheceu, os amigos que esqueceu, os amigos que você quer desculpar, que querem que se desculpem, que quer que te desculpem, os amigos que ficaram ao lado em todas as situações, o professor que você desejou, a professora com quem você foi mal educado, o bolo de aniversário surpresa, a dor de garganta, a operação médica, a gripe que pegou, a cachorra de infância que faleceu e te fez muito triste, aquele pôr-do-sol no retrovisor do carro no trânsito parado que te prendeu a atenção em muitos momentos, aquele sonho que alcançou, aquele pesadelo que te fez acordar, aqueles meses gostosos, tristes, e gostosos...
E o medo... o medo é que logo mais são mais 12 meses, de abraços, lágrimas, hamburgueres, viagens, cortes de cabelo e amigos. Será que você está preparado para mais um ciclo? O que deve entrar na lista, o que deve sair da lista? Ou melhor: você consegue segurar essa lista?
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Scissor Sisters
Eles são sexuais, são posers, são perfomáticos, são gays ao quadrado, são lindos e cantam fantasticamente. E o show deles é tudo isso junto, deliciosamente misturado!
domingo, 21 de novembro de 2010
Mika, um sonho realizado
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Olho-La(r)go

Aquela deliciosa sensação
do tesão, da tensão,
do elogio despretensioso,
das palavras bem escolhidas,
do sorriso malicioso,
da vontade descabida
Do olho-la(r)go, fiquei vidrado
do abraço desajeitado aberto
do olha-e-disfarça entimidado
mensagens, desejo, certo
Interesse, te chamei
da poesia, me usei
do teu beijo, ah...degustarei!
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Caixa de domingo

O quarto silencioso, desarrumado, apático e pesado. As roupas espalhadas pelo chão, a televisão sem som, a luz amarelada do quarto ao lado passando pela fresta, o frio gelado entrando pela janela não totalmente fechada. O peito aperta, dói, sufoca sob o pijama velho e já gasto pela noite e pelo dia gastos sob o edredon amarrotado. E então ele abre o armário e suas mãos vão agilmente atrás daquela caixa meio marrom, meio colorida, meio velha, meio aberta, escondida ao lado das camisas e abaixo dos cabides. Ele sabia porque queria aquela caixa. Leva a caixa para sua cama. Senta. Silêncio. Abre. Silêncio. Respira. Silêncio. E da caixa começam a sair ingressos antigos de cinema, presentes de amores antigos, declarações de amigos, objetos comuns mas com grande cunho psicológico. E então ele vê aquelas duas cartas dobradas, a do papel verde, a do papel azul. Ele não precisa abrí-las para saber de quem eram. Ele sabe cada detalhe daquela carta, que até então ficava em um cofre e por muito tempo ficou em sua carteira. Eram as cartas dele, daquele que ainda mora em seu coração, mas com os anos passou a ficar trancafiado por motivo de segurança (do próprio coração). Ele abre a primeira. Setembro de 2006. Quatros anos atrás. A primeira carta. A letra de forma, a assinatura "seu namorado que te ama muito", as declarações bem humoradas. Lágrimas caem de seus olhos, caem fortes, silenciosas e fortes. E ele abre a segunda carta. Uma carta de 6 meses de namoro. A letra já é cursiva, mas as piadas doces e engraçadas estão lá, e o amor é maior, se sabe que é mais forte. Fala sobre o ronco, fala sobre as mancadas, fala sobre o amor, fala sobre o ronco. E como ele ri quando lê sobre o ronco. Tinha esquecido sobre o ronco, assunto que era tão engraçado quando eles estavam juntos. Mas lá se foram os quatro anos. As lembranças ficam guardadas, secretas, como aquelas cartas. Às vezes elas se abrem, às vezes elas choram, mas no fundo ficam sorrisos. E uma caixa que volta para o armário. E um quarto que continua silencioso, vazio, desarrumado. E as bochechas molhadas. Foi mais um domingo difícil. A segunda-feira chegou. Onde está a caixa da segunda?
domingo, 17 de outubro de 2010
Quando alguém vai embora
Quando nos afastamos de alguém de quem gostamos, mesmo sabendo que essa pessoa está bem, experimentamos um sentimento de perda. Por que isso acontece, mesmo sabendo que não há perda de verdade?
Eugenio Mussak
Cheguei a Uberlândia para proferir uma palestra para pais e professores de um colégio local. Uma simpática professora me esperava no aeroporto e fomos conversando sobre o ambiente escolar, sobre a alegria dos alunos, suas dificuldades, sobre a indisciplina, a comunicação entre gerações diferentes, coisas assim. A palestra seria à noite, mas eu havia pedido para conhecer o colégio, pois tínhamos algum tempo.
No caminho ela me disse algo curioso, como que preparando meu espírito: “Não estranhe, professor, nosso colégio normalmente é muito alegre, mas hoje o ambiente está triste. Provavelmente você vai ver algumas alunas chorando”. Não consegui não estranhar o comentário. Quando perguntei o que tinha acontecido, ela explicou: “É que é o último dia da Candice, uma aluna de intercâmbio do Canadá. Ela está indo embora amanhã”.
E ela tinha razão. Em vários momentos senti a tristeza no ar, como se houvesse um luto. A Candice devia ser muito querida, pois sua despedida estava repercutindo em todo o colégio. Era o mês de agosto e ela tinha que voltar à sua terra, onde as aulas começam em setembro. A menina voltaria para Vancouver, a bela cidade da costa oeste canadense, e o colégio de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, seguiria sua rotina, mas não seria mais o mesmo. Candice teria deixado uma marca na vida de colegas que tinham se acostumado com sua presença, sua alegria. A poderosa marca da amizade.
Durante minha palestra não pude não me referir ao fato. E lembrei que um colégio é uma espécie de entreposto de emoções, pois por ali passam anualmente alunos, professores, pais, funcionários, criando um ambiente de convivência, com idiossincrasias, alegrias e tristezas. E de repente vêm os fins de ano, as formaturas, e com isso as alegrias dos novos ciclos e as tristezas das despedidas.
Os garotos e garotas de certa forma estão sendo preparados para o que se repetirá ao longo de suas vidas. Encontros e separações, afinidades e desencontros. Pessoas que invadem nossa alma como posseiros, semeando ilusões que se dissolvem quando ouvimos um “Tchau, estou indo embora!” Como assim? Você me conquistou, tornou-se meu amigo, uma pessoa importante que agora simplesmente vai embora?
Você é responsável por mim – diria o Pequeno Príncipe –, pois você conquistou minha amizade e afeto. Agora assuma sua responsabilidade! Eu bem que gostaria, mas é a vida que não deixa. Ela tem uma lógica própria que não respeita os viventes – responderia o homem grande. A lógica da vida é que temos que seguir nossos rumos, fazer nossa parte dentro do grande agrupamento humano. A vida segue seu curso e nós fi camos chorando nossas perdas nas esquinas, mesmo sabendo que há novas conquistas ao atravessar a rua.
Percebemos, então, que havia um clima estranho entre nós, como se os sentimentos estivessem embaralhados. E estavam. Foi quando um colega, estressadíssimo, entrou no vestiário dos plantonistas proferindo palavras de desabafo, todas impublicáveis. Outro colega, então, fez um comentário lento e profundo: “Sabe, vou sentir muita falta de seu mau humor, meu caro”.
O riso foi geral e o primeiro colega teve que aguentar muita gozação. Mas depois nos detivemos a pensar se seria mesmo possível sentir falta do mau humor de alguém. É claro que não era da cara de azedo que o colega estava portando naquele momento que sentiríamos falta. Era dele. Com todas as qualidades e defeitos que ele e todos nós temos. Seu desabafo naquele momento não era só seu, era de todos nós, pois ele era um de nós. Alguém do grupo, da tribo que tinha passado seis anos junta, estudando, sonhando, brincando, jogando bola, tomando cerveja.
Seis anos que, quando se tem 20 e poucos, parecem muito mais. Entramos calouros ingênuos, felizes, mas excitados com a expectativa do curso de medicina que começava. Estávamos saindo doutores, também ingênuos, também alegres, e também excitados com a expectativa da vida pela frente.
Nesse tempo experimentei o espírito de coleguismo verdadeiro. Eu estava feliz com o fim de curso e com o começo de uma nova vida, mas como faria para viver sem a presença da amizade constante deles? Eles estavam indo embora, todos estávamos. Alguns ficariam na cidade, outros não. A tribo, enfi m, estava se espalhando pelo planeta. Agora era cada um por si.
Não sei onde está a maioria de meus amigos. Não sei se tiveram carreiras brilhantes, se casaram, quantas vidas salvaram. Talvez alguns já tenham partido definitivamente. Mas, por outro lado, sei, sim, onde eles estão. Em minha memória, e em um canto especial de meu coração. Que bom que eu tenho de quem lembrar, de quem sentir saudades e a quem agradecer por ter feito parte de minha história e por me ajudar a ser quem hoje sou, este conjunto de retalhos da vida que passou... e que segue.
fonte: http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/096/pensando_bem/quando-alguem-vai-embora-595259.shtml
Eugenio Mussak
Cheguei a Uberlândia para proferir uma palestra para pais e professores de um colégio local. Uma simpática professora me esperava no aeroporto e fomos conversando sobre o ambiente escolar, sobre a alegria dos alunos, suas dificuldades, sobre a indisciplina, a comunicação entre gerações diferentes, coisas assim. A palestra seria à noite, mas eu havia pedido para conhecer o colégio, pois tínhamos algum tempo.
No caminho ela me disse algo curioso, como que preparando meu espírito: “Não estranhe, professor, nosso colégio normalmente é muito alegre, mas hoje o ambiente está triste. Provavelmente você vai ver algumas alunas chorando”. Não consegui não estranhar o comentário. Quando perguntei o que tinha acontecido, ela explicou: “É que é o último dia da Candice, uma aluna de intercâmbio do Canadá. Ela está indo embora amanhã”.
E ela tinha razão. Em vários momentos senti a tristeza no ar, como se houvesse um luto. A Candice devia ser muito querida, pois sua despedida estava repercutindo em todo o colégio. Era o mês de agosto e ela tinha que voltar à sua terra, onde as aulas começam em setembro. A menina voltaria para Vancouver, a bela cidade da costa oeste canadense, e o colégio de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, seguiria sua rotina, mas não seria mais o mesmo. Candice teria deixado uma marca na vida de colegas que tinham se acostumado com sua presença, sua alegria. A poderosa marca da amizade.
Durante minha palestra não pude não me referir ao fato. E lembrei que um colégio é uma espécie de entreposto de emoções, pois por ali passam anualmente alunos, professores, pais, funcionários, criando um ambiente de convivência, com idiossincrasias, alegrias e tristezas. E de repente vêm os fins de ano, as formaturas, e com isso as alegrias dos novos ciclos e as tristezas das despedidas.
Os garotos e garotas de certa forma estão sendo preparados para o que se repetirá ao longo de suas vidas. Encontros e separações, afinidades e desencontros. Pessoas que invadem nossa alma como posseiros, semeando ilusões que se dissolvem quando ouvimos um “Tchau, estou indo embora!” Como assim? Você me conquistou, tornou-se meu amigo, uma pessoa importante que agora simplesmente vai embora?
Você é responsável por mim – diria o Pequeno Príncipe –, pois você conquistou minha amizade e afeto. Agora assuma sua responsabilidade! Eu bem que gostaria, mas é a vida que não deixa. Ela tem uma lógica própria que não respeita os viventes – responderia o homem grande. A lógica da vida é que temos que seguir nossos rumos, fazer nossa parte dentro do grande agrupamento humano. A vida segue seu curso e nós fi camos chorando nossas perdas nas esquinas, mesmo sabendo que há novas conquistas ao atravessar a rua.
Percebemos, então, que havia um clima estranho entre nós, como se os sentimentos estivessem embaralhados. E estavam. Foi quando um colega, estressadíssimo, entrou no vestiário dos plantonistas proferindo palavras de desabafo, todas impublicáveis. Outro colega, então, fez um comentário lento e profundo: “Sabe, vou sentir muita falta de seu mau humor, meu caro”.
O riso foi geral e o primeiro colega teve que aguentar muita gozação. Mas depois nos detivemos a pensar se seria mesmo possível sentir falta do mau humor de alguém. É claro que não era da cara de azedo que o colega estava portando naquele momento que sentiríamos falta. Era dele. Com todas as qualidades e defeitos que ele e todos nós temos. Seu desabafo naquele momento não era só seu, era de todos nós, pois ele era um de nós. Alguém do grupo, da tribo que tinha passado seis anos junta, estudando, sonhando, brincando, jogando bola, tomando cerveja.
Seis anos que, quando se tem 20 e poucos, parecem muito mais. Entramos calouros ingênuos, felizes, mas excitados com a expectativa do curso de medicina que começava. Estávamos saindo doutores, também ingênuos, também alegres, e também excitados com a expectativa da vida pela frente.
Nesse tempo experimentei o espírito de coleguismo verdadeiro. Eu estava feliz com o fim de curso e com o começo de uma nova vida, mas como faria para viver sem a presença da amizade constante deles? Eles estavam indo embora, todos estávamos. Alguns ficariam na cidade, outros não. A tribo, enfi m, estava se espalhando pelo planeta. Agora era cada um por si.
Não sei onde está a maioria de meus amigos. Não sei se tiveram carreiras brilhantes, se casaram, quantas vidas salvaram. Talvez alguns já tenham partido definitivamente. Mas, por outro lado, sei, sim, onde eles estão. Em minha memória, e em um canto especial de meu coração. Que bom que eu tenho de quem lembrar, de quem sentir saudades e a quem agradecer por ter feito parte de minha história e por me ajudar a ser quem hoje sou, este conjunto de retalhos da vida que passou... e que segue.
fonte: http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/096/pensando_bem/quando-alguem-vai-embora-595259.shtml
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