terça-feira, 27 de julho de 2010
Neuroniando
domingo, 4 de julho de 2010
Uma nova escala
Lembro-me com todos os detalhes daquele dia: uma sexta-feira de julho, eu com minha camisa preta, meio de social, meio desajeitado, ansioso, entrando naquele prédio da Vila Olímpia, entrando pela primeira vez numa redação de revista, ansioso, inexperiente, medroso, despreparado, escondido.
Era lá que começava minha história como jornalista, minha trajetória pelo mundo das revistas, meu aprendizado como profissional.E, a partir de então, escrever para revistas se tornou uma paixão, uma deliciosa vontade, um trabalho muitas vezes nem visto como trabalho, mas sim como hobby. E foi a Revista Forbes. E foi a Revista Viver Bem E foi a Revista DOM. E foi a Revista A Capa. E foi a revista Capricho. E foi a Revista Runner. E logo mais será a Revista Up.
E agora, uma nova escala começa na minha vida, uma nova fase se inicia em minha carreira. A partir desta semana começa mais um desafio em minha breve (4 anos é breve) carreira como jornalista. Espero, como em todos os trabalhos anteriores, aprender muito, crescer muito, ensinar muito e fazer com que meu desenvolvimento se reverta diretamente no desenvolvimento de mais uma revista. Que os bons ventos jornalísticos se assoprem em minha direção.
Lembro-me com todos os detalhes daquele dia: uma sexta-feira de julho, eu com minha camisa preta, meio de social, meio desajeitado, ansioso, entrando naquele prédio da Casa Verde. Mas agora não mais despreparado, nem medroso, nem escondido. E entro no prédio com a certeza de que posso encarar esse desafio.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Cheesecake de abobrinha
terça-feira, 8 de junho de 2010
Vamos viajar?
sábado, 5 de junho de 2010
A garoa
Com palavras suadas e perdidas
O coração bate atrás do muro
Palpitações ofegantes e ardidas
As gotas batem no telhado
Um sintilar suave e triste
Escorrem no caminho sonhado
Desiludido pela mentira que insiste
Solidão, por que continuas?
Acompanha a garoa tão fina
Sob as nuvens frias e cruas
Coração, por que desafina?
Não te cansas da procura nas ruas
O amor pode estar...virando a esquina
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Dia da Internet
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Homossexualidade na tela
O primeiro filme foi Shortbus, do diretor John Cameron Mitchell, que conta a história de personagens interessantíssimos: uma terapeuta sexual de casais que nunca teve um orgasmo, um casal de gays que anda com dificuldades no namoro e pensa em abrir a relação, uma dominatrix que mantem sua vida pessoal em sigilo e não consegue se abrir para as pessoas, um voyer que acompanha de perto, escondido, toda a vida do casal gay, entre tantos outros. Todos os personagens frequentam o Shortbus, um bar/balada/casa de sexo em que a liberdade é a grande palavra de ordem.
O filme chocou Cannes quando foi exibido, pelas fortes cenas de sexo explícito e pelo conteúdo libertário de suas falas. Talvez por isso eu tenha ficado muito pensativo após assisti-lo. Atualmente no universo gay há mais liberdade sexual do que emocional. Os gays em geral conseguem muito mais ir para uma sauna transar com quantos quiserem do que pronunciarem um "eu te amo". E não digo isso por falso moralismo. Apenas entendo que hoje em dia a liberdade que temos de nossos corpos, de nossas vontades sexuais, de nossos desejos, é extremamente superior à liberdade de expormos nossos reais sentimentos.
E isso foi uma construção realizada por todos: a sociedade conservadora, o preconceito (mesmo o velado), o conservadorismo e, pasmém, os próprios gays. Sim, os gays optaram por seguir neste caminho. É como se a sociedade gay vivesse em um grande ciclo, visivelmente identificado nas últimas décadas: primeiro o anonimato por medo do conservadorismo, depois a explosão dos direitos gays, do sexo, a grande disseminação da AIDS, depois a retomada de uma vida "igual entre todos", sem levantar a bandeira gay, e agora novamente a liberdade do corpo. Confesso: tenho um pouco de medo de como esta geração será daqui 30 anos (e me incluo neste pensamento).
A segunda obra que assisti foi o engraçadíssimo filme The Big Gay Musical, de Fred M. Caruso, composto por um elenco inimaginável de artistas da Broadway e até pelo ator pornô Brent Corrigan. O longa conta a hilária história de backstage do mundo dos musicais, com direito a todos as características de um enredo com temática gay: saída do armário, virgindade, sexo casual, paixões difíceis, aceitação, conservadorismo da Igreja.
O filme é realmente impagável e se tornou um dos hits nos EUA. Por trás das piadas muito bem produzidas e do cotidiano de jovens gays que sonham com a felicidade, há uma enorme crítica às religiões que protestam contra a homossexualidade, levantando a bandeira "de que Deus é contra os gays". Além da trama bem interlaçada (embora com alguns clichês), obviamente, há as músicas deliciosas que compõe o filme (além de corpos ainda mais deliciosos).
Por último, assisti ao programa Profissão Repórter, da Rede Globo, exibido na noite de ontem, 11 de maio. Ele abordou a questão da homossexualidade na família, trazendo personagens reais que vivenciaram este drama. Uma das entrevistas (a qual eu também ja entrevistei para uma matéria da Revista A Capa) foi a escritora, professora universitária e pesquisadora Edith Modesto (foto), criadora do GPH (Grupo de Pais de Homossexuais).
Edith faz um trabalho fabuloso à frente deste órgão, onde ajuda centenas de pais a enfrentaram a descoberta da homossexualidade dos filhos. Talvez um dos momentos mais difíceis na vida de um gay seja a hora de se abrir com os pais. O medo de perder o amor deles, o medo de ser rejeitado, o medo de sua vida nunca mais ser a mesma, o medo de perder o respeito dentro de sua própria casa. Muitas são os obstáculos a serem enfrentados neste momento delicado. Se puderem, procurem no YouTube o programa, pois é um excelente documentário e ótima iniciativa da Rede Globo, que por muitas vezes de mostrou hipócrita e preconceituosa.
Como sempre, a arte imitando a vida e usando a arte para modificar a vida. Quem sabe modifique a cabeça das pessoas que ainda têm uma visão arcaica da homossexualidade. Quem sabe...
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Quem tem medo da solidão?
terça-feira, 27 de abril de 2010
O Despertar da Primavera

Canção de um Verão
[Ilse]
No coração da criança cresceu
Uma canção em tom maior
Que todos hão de ouvir também
E vão saber de cor
Que a dor se foi e a treva passou
Foram partes de um mundo infeliz
Como peças que um velho teatro encenou
E agora o tempo nos diz
Que vai brilhar
Um novo sol
E um verão vermelho
Vai tomar nosso quintal
[Todos]
A nova luz já vai chegar
E os olhos das crianças
Vão se abrir e acreditar
E vão viver por nós
E vão soltar os nós
E vão cantar
Em todas as manhãs, vão rezar
Por um eterno e novo
Verão vermelho
O que era dor
Ficou lá atrás
Na nossa primavera
Que já não volta mais
Janelas vão se escancarar
E vai entrar a chuva
E as crianças vão dançar
E vão viver por nós
E vão soltar os nós
E vão cantar
Em todas as manhãs, vão rezar
Por um eterno e novo
Vão pedir por um verão vermelho
Um eterno e novo
Vão pedir por um verão vermelho
Um eterno e novo verão vermelho
*Paulistanos, não deixem de assistir ao musical O Desperta da Primavera, que está em cartaz (últimas apresentações) no Teatro Sérgio Cardoso, na Rua Rui Barbosa, 153. É de se emocionar!
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Ostra Feliz Não Faz Pérola
Isso é verdade para as ostras. E é verdade para os seres humanos. No seu ensaio sobre O nascimento da tragédia grega a partir do espírito da música, Nietzche observou que os gregos, por oposição aos cristãos, levavam a tragédia a sério. Tragédia era tragédia. Não existia para eles, como existia para os cristãos, um céu onde a tragédia seria transformada em comédia. Ele se perguntou então das razões por que os gregos, sendo dominados por esse sentimento trágico da vida, não sucumbiram ao pessimismo. A resposta que encontoru foi a mesma da ostra que faz uma pérola: eles não entregaram ao pessimismo porque foram capazes de transformar a tragédia em beleza. A beleza não elimina a tragédia, mas a torna suportável. A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado. Ela se basta. Mas ela não cria. Não produz pérolas. São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer. Esses são os artistas. Beethoven - como é possível que um homem completamente surdo, no fim da vida, tenha produzido uma obra que canta a alegria? Van Gogh, Cecília Meireles, Fernando Pessoa... (ALVES, p. 12)
ALVES, Rubem. Ostra feliz nao faz pérola. In: ALVES, Rubem. Ostra feliz não faz pérola. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2008.

