segunda-feira, 4 de abril de 2011

Inferno subiu aos céus

E eu esperava o marasmo lamaçal do inferno astral.
E vieram os quadris de Shakira e a doçura de Gadú.
E eu esperava a tensão profissional do inferno astral.
E vieram deliciosos projetos para se dedicar.
E eu esperava a insônia educacional do inferno astral.
E veio um fim de TCC esplendoroso.
E eu esperava o rombo familiar fatal do inferno astral.
E vieram almoços unidos de domingo.
E eu esperava o vazio sentimental do inferno astral.
E veio você, meu pequeno.

Inferno astral? Bem-vindo ao paraíso!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Outro ano, outo no

E aquelas folhas que já foram vistosas, com seu verde-limão ofuscado ruas e lindos jardins cheirosos de jasmim, ah essas folhas, teu amarelo começa a surgir, começa a despertar de seu sono de três estações e timidamente vai tingindo as cidades, envolvendo corações, derrubando esperanças... as folhas, que já foram fortemente leitosas, se jogam em seu leito maternal, deitam e adormecem sob as árvores, árvores agora frias, árvores agora tímidas, e não mais extravagantes, são galhos e não árvores, as folhas fecham seus olhos aborrecidas, cansadas, mas elas precisam descansar até que uma onda verde novamente recaia sob tuas veias-de-árvore e um ciclo recomece na floresta de uma árvore só.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Amigos

Nada como começar o ano com uma divertida guerra de areia. Feliz 2011 (15 dias depois)!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Pedido de ano novo

- Boa noite senhor, o que desejas?
- Um amor com fritas, por favor. E também Milk-shake bem doce, com paixão levemente azedinha e pitadas de pimenta para contrabalancear.
- Para viagem, senhor?
- Não, não. Quero desfrutar essa refeição aqui mesmo, neste mesmo 2011.
- É para já, senhor.
- Por favor, seja rápido, ando com muita vontade dessa refeição, cansei de esperá-la...

domingo, 26 de dezembro de 2010

Adeus ano velho

Um bom ano, um ano bom. Feliz 2011, adeus 2010. Muitas poesias, ventos sul, mudanças e barras de chocolate e beijos de mel para todos (e notas de 50 reais no bolso)!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Dezembro

Chega aquele mês que eu tanto adoro e tanto tenho medo. Adoro dezembro pois ele é a certeza de que outros 11 meses se passaram e, cansativos ou não, difíceis ou não, pesados ou não, proveitosos ou não, foram vencidos. Você olha para trás e vê os beijos que você deu, os abraços, as lágrimas, as promessas compridas (e as esquecidas), os trabalhos, as brigas, os olhares sem graça, as pessoas que te interessaram, os foras que você recebeu, as cantadas, os elogios, as viagens que fez, aquele maravilhoso sanduíche que você comeu, a camiseta que virou sua preferida, o computador que foi pra assistência técnica, o carro que você bateu, a noite de sexo perfeito que não se repetiu, o remember histórico com o ex, o corte de cabelo que você fez sozinho no espelho e ficou torto, os amigos com quem brigou, os amigos que conheceu, os amigos que esqueceu, os amigos que você quer desculpar, que querem que se desculpem, que quer que te desculpem, os amigos que ficaram ao lado em todas as situações, o professor que você desejou, a professora com quem você foi mal educado, o bolo de aniversário surpresa, a dor de garganta, a operação médica, a gripe que pegou, a cachorra de infância que faleceu e te fez muito triste, aquele pôr-do-sol no retrovisor do carro no trânsito parado que te prendeu a atenção em muitos momentos, aquele sonho que alcançou, aquele pesadelo que te fez acordar, aqueles meses gostosos, tristes, e gostosos...

E o medo... o medo é que logo mais são mais 12 meses, de abraços, lágrimas, hamburgueres, viagens, cortes de cabelo e amigos. Será que você está preparado para mais um ciclo? O que deve entrar na lista, o que deve sair da lista? Ou melhor: você consegue segurar essa lista?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Scissor Sisters

Eles são sexuais, são posers, são perfomáticos, são gays ao quadrado, são lindos e cantam fantasticamente. E o show deles é tudo isso junto, deliciosamente misturado!

domingo, 21 de novembro de 2010

Mika, um sonho realizado


Um dos momentos mais incríveis da minha vida. Sou fã desse cara faz anos e sempre sonhava em assistir a um show dele. É, agora meu sonho foi realizado e continuo anestesiado com a sensação de gritar, pular e cantar muito ao som ao vivo dele. Mika, você é o cara!


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Olho-La(r)go


Aquela deliciosa sensação
do tesão, da tensão,
do elogio despretensioso,
das palavras bem escolhidas,
do sorriso malicioso,
da vontade descabida

Do olho-la(r)go, fiquei vidrado
do abraço desajeitado aberto
do olha-e-disfarça entimidado
mensagens, desejo, certo

Interesse, te chamei
da poesia, me usei
do teu beijo, ah...degustarei!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Caixa de domingo















O quarto silencioso, desarrumado, apático e pesado. As roupas espalhadas pelo chão, a televisão sem som, a luz amarelada do quarto ao lado passando pela fresta, o frio gelado entrando pela janela não totalmente fechada. O peito aperta, dói, sufoca sob o pijama velho e já gasto pela noite e pelo dia gastos sob o edredon amarrotado. E então ele abre o armário e suas mãos vão agilmente atrás daquela caixa meio marrom, meio colorida, meio velha, meio aberta, escondida ao lado das camisas e abaixo dos cabides. Ele sabia porque queria aquela caixa. Leva a caixa para sua cama. Senta. Silêncio. Abre. Silêncio. Respira. Silêncio. E da caixa começam a sair ingressos antigos de cinema, presentes de amores antigos, declarações de amigos, objetos comuns mas com grande cunho psicológico. E então ele vê aquelas duas cartas dobradas, a do papel verde, a do papel azul. Ele não precisa abrí-las para saber de quem eram. Ele sabe cada detalhe daquela carta, que até então ficava em um cofre e por muito tempo ficou em sua carteira. Eram as cartas dele, daquele que ainda mora em seu coração, mas com os anos passou a ficar trancafiado por motivo de segurança (do próprio coração). Ele abre a primeira. Setembro de 2006. Quatros anos atrás. A primeira carta. A letra de forma, a assinatura "seu namorado que te ama muito", as declarações bem humoradas. Lágrimas caem de seus olhos, caem fortes, silenciosas e fortes. E ele abre a segunda carta. Uma carta de 6 meses de namoro. A letra já é cursiva, mas as piadas doces e engraçadas estão lá, e o amor é maior, se sabe que é mais forte. Fala sobre o ronco, fala sobre as mancadas, fala sobre o amor, fala sobre o ronco. E como ele ri quando lê sobre o ronco. Tinha esquecido sobre o ronco, assunto que era tão engraçado quando eles estavam juntos. Mas lá se foram os quatro anos. As lembranças ficam guardadas, secretas, como aquelas cartas. Às vezes elas se abrem, às vezes elas choram, mas no fundo ficam sorrisos. E uma caixa que volta para o armário. E um quarto que continua silencioso, vazio, desarrumado. E as bochechas molhadas. Foi mais um domingo difícil. A segunda-feira chegou. Onde está a caixa da segunda?